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Presidente de Israel vai consultar partidos para tentar evitar nova eleição

Isaac Herzog recebe na quarta-feira (4) os resultados oficiais e abre conversas com todas as bancadas. Nenhum bloco chegou às 61 cadeiras necessárias para governar.

Cúpula de concreto voltada para cima sobre o prédio de um parlamento, contra o céu azul.
Cúpula que abriga o plenário de um parlamento (imagem ilustrativa). Marcello Casal Jr / Agência Brasil

O presidente de Israel, Isaac Herzog, disse que vai iniciar nesta semana uma rodada de consultas com os partidos representados no Parlamento para tentar evitar uma nova eleição no país, segundo a Agência Brasil, com informações da agência portuguesa Lusa. A iniciativa ocorre depois de uma votação em que nenhum dos dois blocos alcançou a maioria de 61 cadeiras no Knesset, o Parlamento israelense, que tem 120 assentos.

De acordo com a Agência Brasil, Herzog vai receber os resultados oficiais da eleição na quarta-feira, 4 de novembro, das mãos de Noam Sohkberg, presidente da Comissão Central de Eleições. Depois disso, o presidente fará contatos na residência presidencial e afirmou que as portas estão abertas para todos os partidos e bancadas parlamentares.

Os números que definem a formação de governo em Israel, segundo a Agência Brasil.
120 cadeiras no Knesset total de assentos do Parlamento israelense
61 cadeiras para a maioria mínimo para um governo ser formado
53 cadeiras da coalizão de Netanyahu oito a menos que a maioria, pelos resultados finais

O que Herzog disse

Na declaração reproduzida pela Agência Brasil, o presidente afirmou esperar que os representantes dos partidos cheguem às conversas com a mente e o coração abertos. Herzog convidou os participantes a ouvir, trocar propostas e procurar soluções criativas que impeçam a convocação de uma nova votação.

O presidente também disse que a campanha terminou e que os resultados são uma realidade que os líderes precisam aceitar. Segundo a Agência Brasil, Herzog afirmou que chegou o momento de pedir a todos os líderes que encarem essa realidade e comparou as consultas a oferecer escadas aos líderes, para que possam descer com cuidado e prudência das posições assumidas na campanha eleitoral.

Eleitor diante de uma mesa de seção eleitoral com equipamento de votação.
Cabine de votação montada em uma seção eleitoral (imagem ilustrativa). Fernando Frazão / Agência Brasil

Pela previsão citada pela Agência Brasil, as negociações partidárias devem durar dias, ou mesmo semanas, enquanto as legendas tentam chegar a um acordo. O bloco de oposição começou a coordenar contatos em 30 de outubro, segundo a agência. No sistema israelense, o governo depende do apoio de uma maioria no Parlamento, o que obriga os partidos a formar coalizões quando nenhum deles tem cadeiras suficientes sozinho.

Como ficou o Parlamento

Os resultados finais foram publicados pela Comissão Central de Eleições em 30 de outubro, segundo a Agência Brasil. O Likud, partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, recebeu cerca de 20% dos votos e conquistou 27 cadeiras, a maior bancada entre todos os partidos. A coalizão liderada por Netanyahu soma 53 cadeiras, oito a menos do que o necessário para a maioria.

Cadeiras conquistadas no Knesset por partido ou grupo, segundo os resultados finais
Cadeiras conquistadas no Knesset por partido ou grupo, segundo os resultados finais. Likud: 27; Yashar: 21; Partidos árabes (Raam e Lista Conjunta): 19; B'Yachad: 12; Yisrael Beytenu: 7. Fonte: Comissão Central de Eleições de Israel, via Agência Brasil, 30/10/2026. Likud 27 Yashar 21 Partidos árabes (Raam e Lista Conjunta) 19 B'Yachad 12 Yisrael Beytenu 7

Fonte: Comissão Central de Eleições de Israel, via Agência Brasil, 30/10/2026

A oposição soma 67 cadeiras, de acordo com a Agência Brasil. Desse total, 48 ficaram com partidos judaicos de oposição e 19 com os partidos árabes Raam e Lista Conjunta, formados por cidadãos palestinos de Israel, grupo que corresponde a cerca de 21% da população do país. Entre os partidos de oposição, o Yashar, liderado por Gadi Eisenkot, obteve a maior bancada, com 21 cadeiras. O B’Yachad ficou com 12 e o Yisrael Beytenu, de Avigdor Liberman, com 7.

Segundo a Agência Brasil, que cita o canal israelense N12 News, o Yisrael Beytenu estaria propondo um governo de unidade nacional com Netanyahu. Mesmo com a adesão do partido, a coalizão ainda ficaria a uma cadeira da maioria, de acordo com a mesma reportagem. Ao todo, cerca de 7,3 milhões de eleitores foram chamados às urnas, na primeira eleição desde os ataques de 7 de outubro de 2023.

Contestação e resposta

Na apuração, houve troca de acusações entre os dois lados, segundo a Agência Brasil. O partido de Netanyahu acusou os partidos de maioria árabe de terem “roubado” a eleição, e o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, citou alegações de interferência estrangeira. A polícia de Israel e a Comissão Central de Eleições afirmaram que não havia evidência de fraude eleitoral, de acordo com a agência.

Eisenkot, por sua vez, acusou o Likud e Netanyahu de conduzirem uma campanha para deslegitimar os resultados. “Eles fazem isso porque perderam. Carecem de maioria”, disse o líder da oposição, segundo a Agência Brasil. Netanyahu afirmou que um governo com partidos palestinos é proibido, enquanto a maior parte da oposição judaica descartou governar ao lado dessas legendas, de acordo com a agência.

Silhueta de uma mão segurando um celular contra a luz.
Pessoa segura um celular (imagem ilustrativa). Tânia Rêgo / Agência Brasil

A participação dos eleitores palestino-israelenses passou de 80%, a maior já registrada, segundo a Agência Brasil. Na reportagem, o analista Shajar Goldwaser, do Grupo de Estudos sobre Conflitos Internacionais da PUC-SP, avaliou que um dos dois compromissos da oposição terá de ser rompido para formar governo: não governar com Netanyahu ou não governar com os partidos árabes. A escolha entre essas opções está no centro das conversas que Herzog pretende conduzir.

Os passos da eleição israelense até as consultas do presidente, segundo a Agência Brasil.
  1. 29 de outubro

    Apuração sem vencedor

    Com 85% das urnas apuradas, nenhum bloco tinha maioria no Knesset.

  2. 30 de outubro

    Resultados finais

    A Comissão Central de Eleições publica o resultado e a oposição começa a coordenar contatos.

  3. 2 de novembro

    Anúncio de Herzog

    O presidente confirma consultas com todos os partidos para evitar nova eleição.

  4. 4 de novembro

    Resultados oficiais

    Herzog recebe os resultados das mãos do presidente da Comissão Central de Eleições.

Netanyahu está no poder há 19 anos, segundo a Agência Brasil. Na reportagem, Goldwaser também afirmou que o impasse favorece o primeiro-ministro, porque a oposição precisaria abrir mão de uma das promessas de campanha para chegar à maioria. Eisenkot, de acordo com a agência, reafirmou o compromisso de criar uma comissão de investigação sobre os ataques de 7 de outubro de 2023, tema que esteve presente na campanha. As duas posições, a do governo e a da oposição, serão levadas às conversas na residência presidencial, segundo o roteiro anunciado por Herzog.

O calendário das consultas depende da entrega formal dos resultados na quarta-feira. Até lá, segundo a Agência Brasil, os partidos seguem em contatos para tentar reunir as 61 cadeiras. Os dados citados nesta reportagem não indicam relação direta da eleição israelense com a Paraíba. Outras notícias de política estão na editoria Poder, e o noticiário nacional pode ser acompanhado em Brasil.

Fonte oficialDeclarações de Isaac Herzog e resultados da Comissão Central de Eleições, via Agência Brasil.

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