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PF cancela passaportes de Flávio Bolsonaro; Reuters diz que ele foi para os EUA

O senador não entregou os passaportes no prazo dado por Moraes. Um aliado e uma fonte do governo americano disseram à Reuters que ele viajou aos EUA, mas não há registro oficial de saída do país.

Rosto de Flávio Bolsonaro em close, falando a jornalistas à noite, com luzes desfocadas ao fundo.
Flávio Bolsonaro fala com jornalistas em Brasília (imagem de arquivo, 2025). Bruno Peres/Agência Brasil
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A Polícia Federal cancelou nesta terça-feira (27) os passaportes de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador pelo Rio de Janeiro e candidato derrotado no segundo turno da eleição presidencial, segundo a Agência Brasil. O motivo foi o descumprimento da ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que na segunda-feira (26) mandou o senador entregar os documentos e o proibiu de deixar o país. Horas depois, a agência Reuters informou que um aliado de Flávio e uma fonte do governo dos Estados Unidos disseram que ele viajou para os EUA. Não há registro oficial da saída.

Do resultado da eleição ao cancelamento dos passaportes
  1. 25/10/2026

    Segundo turno

    Lula é reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, segundo o TSE.

  2. 26/10/2026

    Ordem de Moraes

    O ministro manda Flávio entregar os passaportes à PF e o proíbe de deixar o país.

  3. 26/10/2026

    Vídeo de Flávio

    O senador nega que vá deixar o Brasil e diz que ficará para organizar a oposição.

  4. 27/10/2026

    Passaportes cancelados

    A PF cancela os documentos porque eles não foram entregues no prazo.

  5. 27/10/2026

    Relato da Reuters

    Aliado e fonte do governo dos EUA dizem à agência que Flávio foi para os Estados Unidos.

A ordem de Moraes

A decisão de Moraes está em segredo de Justiça e foi divulgada pelo próprio senador nas redes sociais, segundo a Agência Brasil. Flávio contou que, ao sair da casa do pai pela manhã de segunda-feira, foi intimado na rua pela PF a entregar os passaportes. Ele disse que a ordem foi tomada no domingo à noite, logo depois do resultado, e questionou se a medida seria a mesma caso tivesse vencido a eleição.

A ordem faz parte de um inquérito no STF em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro. Na semana anterior, Moraes havia determinado o bloqueio de até R$ 6 bilhões de Tomaz, investigado por negócios ligados a plataformas de apostas. Segundo a apuração preliminar da PF citada pela Agência Brasil, Flávio seria beneficiário de recursos da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. Os dois investigados negam irregularidades.

Fachada espelhada do edifício-sede da Polícia Federal, com palmeiras e o letreiro do órgão em primeiro plano.
Sede da Polícia Federal, em Brasília, que cancelou os passaportes. Rafa Neddermeyer / Agência Brasil

Flávio também é investigado em um segundo inquérito no STF, que apura o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, segundo a Agência Brasil. Os dois processos correm no Supremo porque o senador tem foro por prerrogativa de função até o fim do mandato.

Segundo Flávio, a medida teve como base uma fala do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que defendeu numa transmissão que o senador deixasse o país caso perdesse a eleição. Eduardo vive nos Estados Unidos, teve o mandato cassado e tem um mandado de prisão em aberto no Brasil, segundo a Agência Brasil. Ele foi condenado a quatro anos de prisão por articular sanções contra autoridades brasileiras e o aumento de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos do Brasil.

O que se sabe sobre o paradeiro

O paradeiro de Flávio não foi confirmado por nenhuma autoridade brasileira ou americana até o fim da tarde desta terça. A tabela abaixo reúne o que cada fonte afirmou, conforme as reportagens da Agência Brasil e da Reuters.

O que cada fonte disse sobre a localização de Flávio Bolsonaro, até 27 de outubro
Fonte O que afirmou Situação
Aliado de Flávio (à Reuters) Ele foi para os Estados Unidos Fonte anônima
Fonte do governo dos EUA (à Reuters) Confirmou a viagem Fonte anônima
Simón Levy, aliado de Trump (no X) Flávio chegou em segurança aos EUA Sem confirmação oficial
Polícia Federal Não houve saída por posto oficial de controle migratório Oficial
Governo da Argentina Não há registro de entrada dele no país Oficial
Porta-voz de Javier Milei Não há pedido de asilo Oficial

Fonte: Agência Brasil e Reuters, 27 de outubro de 2026

A imprensa argentina noticiou que o senador teria entrado no país vizinho e seguiria para os Estados Unidos num jato particular a partir de Puerto Iguazú, na fronteira. Segundo a Reuters, as autoridades argentinas inspecionaram a aeronave e a tripulação e não encontraram plano de voo com a família de Flávio. Uma terceira fonte disse à agência que as duas filhas do senador não foram às escolas em Brasília nesta terça.

O site argentino Infobae, citado pela Agência Brasil, informou que Flávio estaria em Puerto Iguazú e viajaria num jato Gulfstream G400, de prefixo LV-JQW, da empresa Baires Fly S.A. A Casa Rosada, sede do governo argentino, disse não ter registrado a entrada do senador. Segundo a mesma reportagem, a suspeita é que ele teria cruzado a fronteira usando apenas o documento de identidade, que permite a entrada de brasileiros na Argentina.

Funcionário com protetor auricular orienta a operação em pátio de aeroporto, com avião comercial ao fundo.
Pátio do Aeroporto de Brasília (imagem ilustrativa). Rafa Neddermeyer / Agência Brasil

Simón Levy, ex-secretário de Turismo do México que se apresenta como aliado de Donald Trump, escreveu no X que Flávio chegou aos EUA numa operação articulada pelo secretário de Estado Marco Rubio, segundo a Agência Brasil. Nenhum governo confirmou a afirmação. A defesa de Flávio não respondeu de imediato à Reuters, e a assessoria não retornou o contato da Agência Brasil.

A posição sobre a eleição

Flávio não reconheceu o resultado da eleição. Na noite de domingo, disse que buscaria anular o pleito por causa da prorrogação do horário de votação e, depois, afirmou que pediria ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação da chapa de Lula. O pedido de cassação, se for apresentado, será analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral, que já totalizou 99,99% das seções e declarou a eleição matematicamente definida. O PL, partido do senador, declarou que reconhece a vitória de Lula, segundo a Agência Brasil. Lula venceu por 64.255.891 votos a 59.825.984, uma diferença de 4.429.907 votos, segundo o TSE.

Votos de Lula e Flávio no segundo turno para presidente (milhões)
Votos de Lula e Flávio no segundo turno para presidente (milhões). Lula (PT): 64,26 mi; Flávio Bolsonaro (PL): 59,83 mi. Fonte: TSE, totalização do segundo turno, 25 de outubro de 2026. Lula (PT) 64,26 mi Flávio Bolsonaro (PL) 59,83 mi

Fonte: TSE, totalização do segundo turno, 25 de outubro de 2026

O caso lembra a viagem do ex-presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos depois de não reconhecer a derrota de 2022, citada pela Reuters. O mandato de senador de Flávio termina em janeiro de 2027. Até lá, a PF deve informar o ministro Alexandre de Moraes sobre o descumprimento da ordem judicial, segundo a Agência Brasil. O resultado completo da eleição está em Lula é reeleito presidente, e a reação do mercado no primeiro pregão depois da votação, em dólar sobe 8,21% e Ibovespa cai 13,88%. Na Paraíba, Lula teve 67,46% dos votos válidos, como mostra a reportagem sobre como votaram Campina Grande e João Pessoa.

Fonte oficialDecisão do STF e informações da PF, via Agência Brasil; relato da Reuters.

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