· Campina Grande
CG em Foco

Poder

Gonet no caso Master: relator rejeita investigar o procurador-geral

O relator no Conselho Superior do Ministério Público Federal votou contra abrir investigação sobre a atuação de Paulo Gonet no caso Banco Master, mas a palavra final ainda depende do colegiado.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, de terno escuro e óculos
Paulo Gonet, procurador-geral da República, cuja atuação no caso Master foi levada ao Conselho Superior do MPF. Agência Senado
Hostinger — Domínio, SSL e e-mail inclusosPublicidade

O caso Banco Master chegou nesta sexta-feira ao topo do Ministério Público. Em 25 de setembro de 2026, o Conselho Superior do Ministério Público Federal começou a analisar a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o relator do processo votou contra abrir qualquer investigação sobre ele. A decisão ainda não é do colegiado inteiro, mas dá o tom de como a cúpula do MPF enxerga as acusações.

O ponto de partida foi um pedido apresentado por parlamentares, que alegaram uma suposta proximidade indevida entre Gonet e o banqueiro Daniel Vorcaro, personagem central da investigação sobre o Master. A acusação girava em torno de uma eventual prevaricação, ou seja, de que o procurador teria deixado de agir como deveria. É importante separar o que estava em jogo: não havia denúncia formal comprovada, e sim o exame preliminar de se o caso merecia virar apuração.

O termo técnico usado no pedido, a prevaricação, descreve o ato de um agente público que retarda ou deixa de praticar um dever de ofício para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. Aplicá-lo ao procurador-geral é uma acusação grave, porque sugere que decisões tomadas ou adiadas na PGR teriam motivação escusa. Foi justamente esse salto, da suspeita para o crime, que o relator considerou sem base ao ler o que constava nos autos, e é essa fronteira que separa uma crítica política de uma acusação penal.

O que o relator decidiu sobre Paulo Gonet?

O relator no Conselho Superior, subprocurador Francisco de Assis Sanseverino, votou pela rejeição do pedido. Em seu voto, concluiu que “não existem elementos mínimos que indiquem autoria ou materialidade de crime” na conduta do procurador-geral. Na prática, é uma leitura de que faltam provas até para justificar o início de uma investigação, o degrau mais baixo do processo.

Sanseverino também foi além do mérito e tratou de um segundo pedido: o de afastar Gonet dos processos ligados ao Master que correm no Supremo Tribunal Federal. Aqui, o relator rejeitou por uma questão de competência, ao entender que o Conselho não é o foro adequado para decidir sobre esse tipo de recuo. Uma eventual suspeição do procurador em processos no STF caberia à própria Corte, e não ao órgão interno do Ministério Público.

Retrato do banqueiro Daniel Vorcaro, de terno escuro
Daniel Vorcaro, banqueiro do Master, no centro da queixa contra o procurador. Márcio Gustavo Vasconcelos/Flickr (CC0)

O pano de fundo é político. A ofensiva contra Gonet parte de parlamentares incomodados com a forma como a investigação do Master avançou, num momento em que o caso respinga em autoridades dos três Poderes. Levar o procurador-geral ao banco dos questionados é também uma forma de pressão sobre quem controla as denúncias, e é por isso que cada voto no Conselho é lido tanto pela chave jurídica quanto pela política. O relator, ao negar a apuração, tenta manter a discussão no terreno técnico, onde a exigência de provas é mais rígida.

Por que a decisão ainda não é final?

Apesar do peso do voto, ele não encerra o assunto. O CSMPF é um colegiado, e o relator apenas abre a discussão: os demais conselheiros ainda precisam analisar a posição apresentada e votar. A sessão que examina o tema é presidida por Nicolao Dino, vice-presidente do Conselho e irmão do ministro do STF Flávio Dino, um detalhe que ajuda a dimensionar como o caso cruza as fronteiras entre o Ministério Público e o Judiciário.

O rito lembra o que já se viu em outras frentes do mesmo escândalo: decisões individuais que apontam um caminho, seguidas da palavra do colegiado, que pode confirmar ou mudar a rota. Foi assim no próprio caso Banco Master dentro do STF, em que a condução do processo passou por sucessivas trocas de relatoria antes de se estabilizar.

A queixa contra Gonet, passo a passo
  1. set/2026

    A acusação

    Parlamentares pedem apuração sobre suposta proximidade de Gonet com Daniel Vorcaro no caso Master.

  2. 25 set

    Voto do relator

    Sanseverino vota contra abrir investigação: não vê elementos mínimos de crime.

  3. 25 set

    Pedido de afastamento negado

    Relator rejeita tirar Gonet dos processos do Master no STF por falta de competência do Conselho.

  4. a seguir

    Decisão do colegiado

    O Conselho Superior do MPF, presidido por Nicolao Dino, ainda analisa o voto.

O que está em jogo para o cargo de procurador-geral?

A resposta do Conselho tem efeito que vai além do episódio. O procurador-geral da República é quem decide se apresenta denúncia ou pede arquivamento nos casos de foro privilegiado, incluindo os desdobramentos do Master. Colocar em dúvida a isenção de quem ocupa o cargo, ainda que sem provas, tem peso político e institucional, porque toca na confiança sobre as decisões que a PGR toma no dia a dia. Não é a primeira autoridade que o caso Master arrasta para o centro da cena, e cada nome respingado eleva a temperatura de um processo que já mistura investigação criminal, disputa entre instituições e véspera de eleição.

Por isso o desfecho é acompanhado de perto. Se o colegiado seguir o relator, o recado é de que a acusação não tinha sustentação e de que Gonet permanece à frente das decisões do caso. Se divergir, abre-se um flanco novo num processo que já provocou atritos dentro do Supremo Tribunal Federal, como no julgamento sobre investigar o ministro Alexandre de Moraes a partir de mensagens atribuídas a Vorcaro.

Ainda que a cena se passe em Brasília, o episódio interessa a qualquer cidadão que dependa da Justiça. O procurador-geral é a linha de frente das grandes investigações, e a solidez das instituições que apuram crimes financeiros afeta a confiança de quem investe, poupa ou apenas acompanha o noticiário na Paraíba. Quando a cúpula do Ministério Público precisa julgar o próprio chefe, o teste é de credibilidade, não apenas de direito.

Para o leitor, o que fica é a dimensão do caso Banco Master: uma investigação que começou financeira e hoje testa, ao mesmo tempo, o Ministério Público e o Judiciário. O CG em Foco acompanha os próximos passos do Conselho e os reflexos sobre a condução do processo no STF.

Fonte oficialVoto e andamento no Conselho Superior do MPF, conforme noticiado em 25 de setembro de 2026.

Hostinger — Domínio, SSL e e-mail inclusosPublicidade
Notebook ASUS Vivobook 15 — no Mercado LivrePublicidade

Publicado em · Política de correções

Fontes

Hostinger — 5 milhões de clientes em mais de 150 paísesPublicidade

Receba as principais notícias de Campina Grande

Newsletter · CG em Foco

Um resumo das notícias da cidade, da Paraíba e dos assuntos que impactam o seu dia, direto no seu e-mail. Sem spam. Cancele quando quiser.

Comentários

  • Carregando comentários…