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Bancários param 24 horas nesta quinta: o que abre e o que não abre

A paralisação nacional de 24 horas foi aprovada depois que 97% dos bancários rejeitaram a proposta da Fenaban. Em oito rodadas, os bancos não apresentaram índice de reajuste.

Cartaz vermelho com os dizeres Bancários em Greve colado no vidro da porta de uma agência, enquanto uma mão puxa a maçaneta.
Cartaz da paralisação na porta de uma agência em Brasília, nesta quinta-feira (20). Marcelo Camargo / Agência Brasil
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Os bancários param por 24 horas nesta quinta-feira, 20 de agosto de 2026. A paralisação é nacional e foi convocada pelo Comando Nacional dos Bancários, ligado à Contraf-CUT, depois das assembleias de 17 de agosto. Segundo a confederação, mais de 50 mil trabalhadores participaram da consulta: 97% rejeitaram o desenho de proposta apresentado pela Fenaban e 90% aprovaram parar hoje.

A decisão é nacional, mas o efeito que você encontra na porta da agência não é uniforme. A adesão depende de cada base sindical, de cada banco e de cada unidade, e não existe, até o fechamento desta reportagem, uma lista oficial que diga quantas agências deixaram de abrir no país. É uma ausência de dado que vale registrar: nem a Fenaban nem a Febraban divulgaram, até aqui, o nível de atendimento de cada banco nesta quinta.

A paralisação de 20 de agosto em quatro números da própria categoria
97% rejeitaram a proposta consulta com mais de 50 mil bancários, 17 de agosto
90% aprovaram parar hoje mesma consulta nacional da Contraf-CUT
8 rodadas de negociação da entrega da minuta, em 24 de junho, até 18 de agosto
nenhum índice de reajuste na mesa os bancos não apresentaram percentual até a 8ª rodada

Fonte: Contraf-CUT e sindicatos de Brasília, São Paulo e Belo Horizonte, consulta em 20 de agosto de 2026

Os bancos estão em greve hoje?

Sim, mas o nome importa. O que está em curso é uma paralisação de 24 horas, decidida para esta quinta-feira, e não uma greve por tempo indeterminado. A diferença é prática: no primeiro caso existe uma data para o movimento terminar e uma nova rodada já marcada; no segundo, o movimento segue enquanto as assembleias mandarem. Nenhuma fonte sindical consultada descreveu o movimento de hoje como greve por prazo aberto.

Há confirmação documental da organização da parada em pelo menos três bases sindicais grandes. No Distrito Federal, o indicativo foi aprovado por 89,67% em 17 de agosto e ratificado por 95% em assembleia virtual no dia 19. Em São Paulo, Osasco e região, 89,34% aprovaram a paralisação e 97,66% rejeitaram a proposta. Em Belo Horizonte e região, foram 93% pela parada e 98% contra a proposta dos bancos.

Duas pessoas caminham diante da porta de vidro de uma agência bancária coberta por vários cartazes vermelhos com os dizeres Bancários em Greve.
Agência com cartazes da paralisação recebe clientes em Brasília, nesta quinta (20). Marcelo Camargo / Agência Brasil

A orientação sindical foi além do balcão. Em Brasília, o sindicato determinou que os bancários não batessem ponto, não atendessem clientes, não executassem tarefas e não acessassem sistemas remotamente durante a paralisação, ou seja, o teletrabalho também entrou na parada. É o detalhe que explica por que uma solicitação aberta pelo aplicativo pode ficar sem resposta mesmo com o canal no ar.

O que funciona e o que pode travar

O autoatendimento costuma seguir de pé, porque não depende de alguém no balcão. O ponto que engana é outro: canal disponível não é operação concluída. Transferência que cai em análise, contrato que exige assinatura, desbloqueio, renegociação e qualquer pedido que passe pela mão de um empregado podem ficar parados até o movimento acabar.

O que esperar de cada canal durante uma paralisação bancária
Canal O que esperar
Agência física Pode estar fechada; confirme a sua antes de sair de casa
Caixa eletrônico Em geral disponível, sujeito a reposição de numerário
Aplicativo e internet banking No ar, mas pedidos que dependem de análise humana esperam
Correspondente bancário Lotérica e similares não param com a categoria
Boleto que vence hoje Sem prorrogação automática; pague por canal eletrônico se puder

Fonte: Lei nº 7.783/1989 e orientações sindicais publicadas em 19 e 20 de agosto de 2026

O boleto é a dúvida mais repetida, e a resposta honesta é que não há prorrogação automática. Não existe, nas normas consultadas, regra geral que empurre vencimento por causa de paralisação bancária. O caminho seguro é pagar por caixa eletrônico, aplicativo, correspondente ou débito direto autorizado, guardar o comprovante e, se o pagamento não sair, procurar o emissor para pedir segunda via sem encargos. O contorno jurídico vem da Lei de Greve: a Lei nº 7.783/1989 define greve como suspensão coletiva, temporária e pacífica, total ou parcial, e lista a compensação bancária entre as atividades essenciais, o que obriga a categoria a manter os serviços indispensáveis previstos nos artigos 10 a 13. O que a lei não faz é exigir agência aberta em toda parte, nem fixar um percentual nacional de atendimento presencial.

Oito rodadas e nenhum percentual

O motivo da parada cabe em uma frase: depois de oito rodadas, os bancos ainda não colocaram um número na mesa. A campanha salarial é unificada e vale para bancos públicos e privados. A proposta que provocou a rejeição de 97% não trazia percentual algum, previa congelar o piso de ingresso para quem entrasse na categoria e dividir o reajuste em três faixas salariais, sem informar os parâmetros nem quanto caberia a cada faixa.

A campanha salarial de 2026, rodada a rodada
  1. 24/06

    Minuta entregue

    A categoria apresenta à Fenaban a pauta econômica e social da campanha nacional.

  2. 02/07

    1ª rodada

    Mesa discute cláusulas sociais: PCDs, jornada 4x3, teletrabalho e direito à desconexão.

  3. 04/08

    6ª rodada

    Bancos criticam a minuta econômica e sugerem não reajustar a PLR; prometem proposta geral.

  4. 13/08

    7ª rodada

    Sem índice. Aparecem o congelamento do piso, as três faixas e o corte de VA e VR no interior.

  5. 17/08

    Assembleias

    97% rejeitam a proposta e 90% aprovam a paralisação nacional de 24 horas.

  6. 18/08

    8ª rodada

    Fenaban retira as faixas, o congelamento do piso e a fragmentação do VA/VR, e segue sem percentual.

  7. 20/08

    Paralisação

    A categoria para por 24 horas em bases de todo o país, com adesão variável por unidade.

  8. 24/08

    Próxima rodada

    Negociação é retomada a uma semana da data-base, marcada em 1º de setembro.

Na sexta rodada, em 4 de agosto, os bancos sugeriram deixar a PLR sem reajuste, argumentando que já mantêm programas próprios de remuneração variável, o Comando Nacional recusou a troca. Na sétima, em 13 de agosto, além da ausência de índice, apareceu a proposta de reduzir vale-refeição e vale-alimentação em cidades do interior, com aumento apenas nas capitais.

A mobilização derrubou parte disso. Na oitava rodada de negociação, em 18 de agosto, a Fenaban retirou as três propostas que mais irritaram a categoria: as faixas, o congelamento do piso e o corte diferenciado do VA e do VR. O recuo, porém, veio desacompanhado de proposta nova, a mesa voltou à estaca zero do que interessa, que é o percentual.

A régua da reposição: INPC até julho de 2026
Em 12 meses 4%
No ano 4%
No mês de julho -0%

Fonte: IBGE, INPC de julho de 2026, divulgado em 11 de agosto; consulta à API do SIDRA em 20 de agosto de 2026

Qual é a régua do reajuste

A categoria bancária negocia em bloco, ao contrário do emprego formal que acompanhamos mês a mês no Caged. A reivindicação é reposição da inflação mais 5% de aumento real em salários e demais verbas, além de valorização da PLR, aumento maior de VA e VR, piso equivalente ao salário mínimo necessário calculado pelo Dieese, R$ 7.999,44, valor citado na pauta em 4 de agosto, e um piso próprio para profissionais de tecnologia da informação.

A régua da reposição é o INPC, o índice que mede a inflação das famílias de renda mais baixa e baliza a maior parte dos acordos coletivos, como já explicamos ao comparar o INPC e o IPCA no seu salário. Pelo IBGE, o índice ficou em -0,01% em julho, acumula 3,50% no ano e 4,10% em 12 meses. É o número contra o qual qualquer proposta dos bancos vai ser medida quando enfim aparecer.

Fila de bancários diante da fachada vermelha de uma agência, cada um segurando uma placa vermelha com os dizeres Bancários em Greve.
Bancários fazem piquete diante de agência em Brasília durante a parada de 24 horas. Marcelo Camargo / Agência Brasil

Sobre o outro lado da conta, o lucro líquido dos bancos, a informação disponível é de 2025, e é honesto dizer isso: as fontes sindicais citam R$ 124 bilhões para os cinco maiores e R$ 171 bilhões para o setor, ambos referentes ao ano passado. O resultado consolidado do primeiro semestre de 2026 não foi conferido balanço a balanço para esta reportagem, e por isso não entra como número do ano corrente.

A conta do calendário é o que resta. A data-base da categoria é 1º de setembro, e é até a véspera que a Convenção Coletiva costuma ser assinada. Com a nona rodada marcada para 24 de agosto, sobram poucos dias para os bancos apresentarem o percentual que ainda não apresentaram, e é esse relógio, mais que os cartazes na porta da agência, que define o tamanho do próximo capítulo.

VerificadoLemos as notas das oito rodadas, a Lei de Greve e baixamos o INPC da API do IBGE.

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