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Economia

Confiança da indústria cai e completa 21 meses de pessimismo

O ICEI, índice da CNI que mede o humor do empresário industrial, caiu para 44,9 pontos em setembro e segue abaixo da linha de 50 pela 21ª vez seguida.

Vias movimentadas em Brasília, ilustrando a atividade econômica do país.
A confiança da indústria mede o humor de quem produz e investe; o índice segue abaixo de 50 (imagem ilustrativa). Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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A confiança da indústria brasileira recuou em setembro e o panorama segue de pessimismo. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), calculado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), fechou o mês em 44,9 pontos, queda de 1,4 ponto ante os 46,3 registrados em agosto. O resultado, divulgado em 14 de setembro, mantém o índice abaixo da marca de 50 pontos há 21 meses seguidos.

A leitura é direta para quem acompanha a economia: a linha de 50 pontos separa o otimismo do pessimismo no ambiente industrial. Acima dela, a maioria dos empresários enxerga o cenário com confiança. Abaixo dela, predomina a falta de confiança. Há quase dois anos, o setor produtivo brasileiro opera nesse segundo campo. O recuo de setembro não inaugura o problema, mas reforça um padrão que já se tornou a marca do momento atual da indústria.

O ICEI de setembro em três números
44,9 pontos no ICEI abaixo da linha de 50
-1,4 ponto no mês ante 46,3 em agosto
21 meses de pessimismo seguidos abaixo de 50

Fonte: CNI, ICEI de setembro de 2026

Para o leitor comum, o índice funciona como um termômetro do humor de quem decide investir, contratar e produzir. Quando o número fica abaixo de 50, o empresário industrial, em média, avalia que as condições atuais e as expectativas para o futuro estão ruins ou insuficientes. É esse clima que orienta decisões de ampliação de fábrica, compra de máquinas e abertura de vagas. A régua da CNI é nacional e alcança as cadeias industriais de todas as unidades da federação, inclusive a da Paraíba.

Condições atuais: a economia pesa mais

O Índice de Condições Atuais ficou em 40,2 pontos em setembro, com queda de 2,5 pontos no mês. Ele mede a percepção do empresário sobre o presente: como está a economia brasileira agora e como estão as condições da própria empresa. Esse componente é o mais baixo do conjunto e o que mais recuou na virada de agosto para setembro.

Dentro desse bloco, a avaliação da economia brasileira caiu para 33 pontos, recuo de 3,6 pontos. É o dado mais frágil da pesquisa inteira. Significa que, para a maior parte dos industriais consultados, o momento macroeconômico do país é visto com desconfiança acentuada. O olhar sobre a própria empresa ficou em 43,8 pontos, com queda de 1,9. Ou seja: o empresário enxerga o próprio negócio em posição menos ruim do que o país como um todo, mas ainda abaixo da linha de confiança.

Essa distância entre a leitura da economia e a leitura da firma é informativa. Ela sugere que o pessimismo não se concentra só no sentimento genérico sobre o Brasil. Ele também alcança a porta da fábrica, ainda que com menos intensidade. Para quem opera na indústria da Paraíba, o retrato nacional serve de pano de fundo: o mesmo clima de cautela atravessa cadeias locais, sem que a pesquisa da CNI traga um número específico por estado.

Componentes do ICEI em setembro (linha de corte: 50 pontos)
Expectativas para a própria empresa 51,3 pts
Índice de Expectativas 47,2 pts
Condições das próprias empresas 43,8 pts
Índice de Condições Atuais 40,2 pts
Futuro da economia 39,1 pts
Economia brasileira hoje 33,0 pts

Fonte: CNI, ICEI de setembro de 2026

O gráfico acima organiza os seis blocos da pesquisa na mesma escala. Só um deles cruza a marca de 50: as expectativas para a própria empresa. Os outros cinco ficam abaixo, com a economia do dia a dia na ponta mais baixa. A leitura de conjunto confirma o diagnóstico do ICEI agregado: o presente é avaliado com mais dureza do que o futuro próximo.

Expectativas: futuro da economia ainda fraco

O Índice de Expectativas ficou em 47,2 pontos em setembro, com queda de 0,9. O resultado segue abaixo da linha de 50 e completa o retrato de um setor que enxerga o futuro próximo com desconfiança. O futuro da economia brasileira foi o segundo pior bloco da pesquisa, em 39,1 pontos. As expectativas para a própria empresa somaram 51,3 pontos, o único componente acima da marca de confiança, ainda com queda de 1,0 no mês.

Esse contraste é o núcleo da leitura. O empresário industrial brasileiro, em média, mantém um pé fora do pessimismo quando olha para a própria operação e os dois pés dentro dele quando olha para o país. A confiança se concentra no micro e escorre do macro. A série de 21 meses abaixo de 50 mostra que o padrão não é episódico: a indústria brasileira opera há quase dois anos sob um clima de cautela que atravessa trimestres de produção, estoque e contratação.

A pesquisa da CNI ouviu 1.186 empresas industriais entre 1º e 8 de setembro de 2026, com 475 pequenas, 441 médias e 270 grandes. A régua é nacional e organiza a leitura do ambiente produtivo em todas as unidades da federação, inclusive na Paraíba. Os dados não trazem um ICEI estadual neste release, mas o clima macro que puxa o índice para baixo alcança as cadeias locais. Para quem acompanha a indústria do estado, o diagnóstico é o de um setor em modo de contenção, com a virada ainda fora do radar da própria confederação.

Fonte oficialApurado na CNI e na Agência Brasil.

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