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Mobilidade urbana: o VLT e o futuro do transporte em Campina Grande

A segunda fase do VLT representa mais que um investimento em trilhos — é a oportunidade de repensar como a cidade se move.

Obras de recuperação dos trilhos e dormentes do VLT em Campina Grande, abril de 2026
Foto: Codecom / Prefeitura de Campina Grande
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Quando os primeiros dormentes de concreto da segunda fase do VLT foram assentados nas ruas de Campina Grande, a cidade ganhou mais do que um canteiro de obras. Ganhou a oportunidade — rara e custosa — de repensar como seus 420 mil habitantes se deslocam.

O problema atual

Campina Grande enfrenta os mesmos dilemas de mobilidade de cidades brasileiras de porte médio: dependência do automóvel individual, transporte coletivo defasado, calçadas intransitáveis e ausência quase total de infraestrutura cicloviária. O resultado é congestionamento crescente nas vias centrais, poluição sonora e dificuldade de acesso para pessoas com deficiência e idosos.

O ônibus, que deveria ser a espinha dorsal do transporte urbano, opera com frota envelhecida, baixa frequência e linhas que não acompanharam a expansão da cidade para bairros periféricos.

O que o VLT pode ser

O VLT, por si só, não resolve o problema. Nenhum modal sozinho resolve. Mas ele cria um eixo estruturante a partir do qual todo o sistema pode ser reorganizado.

Se bem planejado, o traçado do VLT conectará áreas estratégicas: o centro comercial, a região do Parque da Estação Nova, a zona de universidades e o entorno do Parque do Povo. Linhas de ônibus alimentadoras podem convergir para as estações, aumentando a cobertura do sistema sem duplicar rotas.

O que não pode faltar

A experiência de cidades brasileiras que investiram em VLT — como Cuiabá (inconcluso) e Santos (bem-sucedido) — mostra que o sucesso depende de fatores além dos trilhos:

Integração tarifária — O passageiro precisa usar VLT e ônibus com uma única passagem, sem sobretaxa.

Calçadas e acessibilidade — As estações só funcionam se for possível chegar a elas a pé, com segurança. Isso exige calçadas adequadas em um raio de pelo menos 500 metros.

Frequência — Um VLT que passa a cada 30 minutos não compete com o carro. A frequência mínima viável é de 10 minutos em horário de pico.

Ciclovias conectadas — Estações de VLT com bicicletários e ciclovias de acesso multiplicam o alcance do sistema.

A hora de decidir

Campina Grande está investindo pesado em infraestrutura — do VLT ao crescimento do polo de inovação. A cidade que atrai empresas de tecnologia e gera quase 3 mil empregos formais por quadrimestre precisa de um sistema de transporte à altura da economia que está construindo.

As decisões tomadas agora sobre integração, frequência e acessibilidade vão determinar se o VLT será infraestrutura transformadora ou apenas trilhos no asfalto.

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