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Campina Grande restaura Palácio do Bispo em obra de R$ 6,5 milhões

Prédio tombado que abriga o Gabinete do Prefeito será transformado em centro cultural. Obra soma-se à requalificação da Estação Nova e reacende debate sobre o acervo Art Déco da cidade.

Vista do centro histórico de Campina Grande, com edificações em estilo Art Déco que compõem o patrimônio arquitetônico tombado desde 2004
Foto: Wikimedia Commons
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A Prefeitura de Campina Grande licitou a reforma e restauração do Palácio do Bispo, atual sede do Gabinete do Prefeito, em obra estimada em R$ 6.537.834,14. O projeto prevê a transformação do edifício tombado em centro cultural aberto à população, com espaço para exposições permanentes sobre a história da cidade. A iniciativa, anunciada em 28 de abril de 2026, insere-se num contexto mais amplo de reavaliação do patrimônio arquitetônico do centro histórico campinense — incluindo o conjunto Art Déco tombado desde 2004.

O que prevê o projeto de restauração do Palácio do Bispo?

O Palácio do Bispo, localizado na Rua Rio Branco, foi construído entre setembro de 1951 e agosto de 1952 como sede da Diocese de Campina Grande, criada em 1949, segundo o cronista e pesquisador local Walter Tavares. O terreno teria sido doado pelo comerciante de algodão Alvino Pimentel, conforme relato do próprio Tavares em publicação pessoal.

A reunião que formalizou a parceria entre Prefeitura e Diocese ocorreu entre o secretário-chefe de gabinete, Waldeny Santana, e o bispo diocesano Dom Dulcênio Fontes. O restaurador paraibano Flávio Capitulino, com reconhecimento internacional em conservação artística, deve conduzir a recuperação das obras internas do edifício.

“A ideia é que o Palácio do Bispo vá além de sua função administrativa e se consolide como um espaço vivo de cultura e memória”, afirmou Waldeny Santana, segundo nota da Coordenadoria de Comunicação Social (Codecom) da Prefeitura. Os projetos arquitetônicos serão submetidos ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) antes da execução, por se tratar de bem tombado.

Como surgiu o conjunto Art Déco de Campina Grande?

A restauração do Palácio do Bispo, embora o edifício não seja Art Déco, reacende a discussão sobre o patrimônio arquitetônico mais amplo do centro histórico. Os primeiros exemplares Art Déco da cidade datam do final da década de 1930, impulsionados pela riqueza do ciclo algodoeiro.

O prefeito Vergniaud Wanderley, que governou de 1935 a 1945, promoveu reforma urbana no centro. Segundo pesquisa publicada pela Universidade Federal de Campina Grande, Wanderley trouxe construtores experientes do Sul e Sudeste para remodelar fachadas comerciais e residenciais em ruas como Maciel Pinheiro, Cardoso Vieira e Venâncio Neiva.

O Cassino Eldorado, inaugurado em 1º de julho de 1937 na Rua Manoel Pereira de Araújo, é apontado como um dos precursores do estilo na cidade. A professora Lia Mônica Rossi, do Departamento de Design Industrial da então UFPB (hoje UFCG), cunhou em 1982 o termo “Art Déco Sertanejo” para descrever a variante regional — caracterizada por superfícies simples de alvenaria pintada com cal e pigmentos, sem os acabamentos sofisticados das versões europeia e norte-americana.

“O Art Déco que há em Campina Grande é singular. Não é o Art Déco de Miami ou de Paris. É uma linguagem adaptada ao semiárido, com materiais locais e a estética da prosperidade algodoeira”, observou Lia Rossi, em entrevista acadêmica registrada pela UFCG.

Quando o patrimônio Art Déco foi reconhecido oficialmente?

O reconhecimento institucional ocorreu em etapas. Na década de 1990, o jornalista Hermano José passou a divulgar o conjunto arquitetônico em sua coluna no Jornal da Paraíba, segundo Walter Tavares.

Em 1999, a Prefeitura implementou o Programa Campina Déco, com objetivo de requalificar uma área urbana central que abrange cerca de 150 edifícios, tendo a Rua Maciel Pinheiro como primeira fase. O tombamento formal do centro histórico veio pelo Decreto Estadual nº 25.139, de 29 de junho de 2004, que homologou a Deliberação nº 25/2003 do Conselho de Proteção dos Bens Históricos Culturais (CONPEC), órgão consultivo do IPHAEP. Quase 40 ruas, praças e edificações individuais foram protegidas entre 1997 e 2015 por seis decretos estaduais.

Qual o estado atual do patrimônio histórico no centro da cidade?

A restauração do Palácio do Bispo soma-se à obra do Parque da Estação Nova, cujo investimento de R$ 44 milhões requalifica 90 mil metros quadrados do último prédio público Art Déco construído em Campina Grande — a antiga Estação Ferroviária, inaugurada em 1961.

Outras edificações históricas, porém, permanecem em situação precária. O Cassino Eldorado, fechado desde a década de 1950, é apontado por pesquisadores como caso crítico. Muitas fachadas do centro seguem parcialmente encobertas por letreiros ou descaracterizadas por reformas sem supervisão do IPHAEP.

O cronista Walter Tavares defende que Campina Grande possui “um dos três maiores conjuntos Art Déco do mundo” — classificação que não encontra respaldo em publicações institucionais consultadas pela reportagem. O Programa Campina Déco catalogou 150 edificações no perímetro central, sem contar exemplares em bairros adjacentes.

A licitação para a restauração do Palácio do Bispo tramita na Secretaria de Obras. Cronograma de execu�

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