O Ministério das Cidades sinalizou que o modelo de planejamento urbano de Campina Grande será utilizado como referência para municípios de porte semelhante em todo o Brasil. O reconhecimento, divulgado pela Codecom da Prefeitura, destaca a metodologia de integração entre obras de infraestrutura, mobilidade, patrimônio histórico e equipamentos sociais adotada pela gestão municipal.
O que há de diferente no modelo campinense?
A Prefeitura de Campina Grande executa simultaneamente mais de dez frentes de obra que, segundo a gestão, foram planejadas como sistema integrado. O Parque da Estação Nova (R$ 44 milhões), por exemplo, não é apenas requalificação de um prédio histórico: inclui estação de VLT, binário viário, coworking social, incubadora de startups e equipamentos esportivos — conectando patrimônio, mobilidade e inovação em um único projeto.
O prolongamento da Avenida Floriano Peixoto (R$ 15,6 milhões) liga o centro ao Arco Metropolitano Leste, facilitando o escoamento industrial. A revitalização dos distritos industriais (R$ 33,7 milhões) complementa a conexão logística. A restauração do Palácio do Bispo (R$ 6,5 milhões) transforma sede administrativa em centro cultural. O Parque Novo Açude (R$ 18 milhões) urbaniza o entorno do Açude Novo com áreas de lazer.
O crédito de US$ 62 milhões captado junto ao Fonplata — banco multilateral da Bacia do Prata — financia parte das obras, com contrapartida municipal de R$ 10 milhões. O total anunciado ultrapassa R$ 400 milhões quando somadas todas as fontes.
O que o Ministério das Cidades pretende replicar?
O Ministério não divulgou detalhamento técnico da parceria. A nota da Prefeitura indica que o interesse recai sobre a metodologia de planejamento — a forma como diferentes secretarias (Obras, Planejamento, Cultura, Mobilidade) articulam projetos complementares, e não sobre obras específicas.
Campina Grande tem 413 mil habitantes (estimativa IBGE 2024) e é a segunda maior cidade da Paraíba. O porte médio a torna comparável a centenas de municípios brasileiros na faixa de 200 mil a 500 mil habitantes, o que explica o interesse do governo federal em usar a experiência como referência escalável.
Quais os riscos da execução simultânea?
A concentração de obras em um período curto eleva a pressão sobre a capacidade de gestão e fiscalização da Prefeitura. Atrasos em uma frente podem impactar cronogramas de obras interdependentes — como a ligação entre o prolongamento da Floriano Peixoto e o binário da Estação Nova.
O financiamento externo (Fonplata) impõe metas de execução e prestação de contas ao organismo internacional, o que pode funcionar como mecanismo de disciplina. Por outro lado, a dependência de crédito eleva o endividamento municipal a patamares que exigem monitoramento pela Câmara e pelos órgãos de controle.
O cronograma detalhado de cada obra e os indicadores de execução física e financeira não foram publicados e
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