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O São João que Campina Grande merece

Entre os 120 shows e os R$ 800 milhões em receita projetada, a cidade precisa garantir que o crescimento do festival se traduza em legado permanente.

Roda-gigante iluminada com bandeirolas no Parque do Povo durante o São João de Campina Grande
Foto: Codecom / Prefeitura de Campina Grande
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Campina Grande acordou nesta semana com o Parque do Povo em plena efervescência. A 43ª edição do Maior São João do Mundo promete números superlativos: 120 shows, 3,52 milhões de visitantes, R$ 800 milhões em receita projetada. Roberto Carlos no palco. Marisa Monte no Dia dos Namorados. João Gomes abrindo a festa. Os números impressionam. Mas números, sozinhos, não constroem legado.

O festival que cresceu

É inegável que o São João de Campina Grande se consolidou como o maior evento junino do planeta. A cada ano, a programação se profissionaliza, o público aumenta e a receita cresce. O salto de 10% no público esperado em relação a 2025 confirma a trajetória ascendente.

Essa é a parte fácil da história. A parte difícil começa em 6 de julho, quando as luzes do Parque do Povo se apagam.

O que fica quando a festa acaba

A pergunta que Campina Grande precisa se fazer não é quantos shows cabem no palco principal. É o que resta na cidade quando o último trio de forró guarda os instrumentos. Hotéis ficam lotados em junho, mas a rede hoteleira opera com ociosidade alta nos outros onze meses. Ambulantes faturam bem durante a festa, mas muitos voltam à informalidade em julho.

O espaço Raízes de Campina, inaugurado nesta edição, é um aceno na direção certa: conectar o festival à memória cultural da cidade. Iniciativas assim precisam sobreviver ao ciclo junino e se tornarem infraestrutura permanente.

O legado possível

Campina Grande tem os ingredientes para transformar o São João em plataforma de desenvolvimento o ano inteiro: polo tecnológico forte, universidades de excelência, localização estratégica no interior nordestino e identidade cultural singular.

O que falta é uma política pública que trate a economia criativa junina como cadeia produtiva permanente — não apenas como festa sazonal. Isso significa investir em capacitação de mão de obra em turismo, melhorar a infraestrutura de mobilidade e saneamento dos bairros que recebem visitantes, e criar mecanismos para que a receita de junho irrigue a economia local durante todo o ano.

O São João que Campina Grande merece não é apenas o maior do mundo em junho. É o que transforma a cidade o ano inteiro.

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