· Campina Grande

Cultura

Augusto dos Anjos e a casa-museu que poucos visitam

A relação entre o poeta paraibano e a memória material que sobreviveu, entre a Paraíba do Norte e o Pará Meridional, e por que vale a pena conhecer.

Retrato do poeta Augusto dos Anjos (1884-1914)
Retrato do poeta Augusto dos Anjos (1884-1914) · Domínio público / Wikimedia Commons

Augusto dos Anjos nasceu em 1884 na fazenda Pau d’Arco, no município paraibano de Sapé, e morreu em 1914 em Leopoldina, Minas Gerais, com 30 anos. Entre esses dois pontos cabem o livro único que o consagrou — o Eu, publicado em 1912 — e uma vida marcada por tuberculose, deslocamentos e ensino.

A obra é estranha à sensibilidade do leitor que se aproxima dela pela primeira vez. Mistura vocabulário científico com pessimismo metafísico, monismo materialista com elegia. Frases como “a podridão da carne, esse abutre” ou “tomara que apodreça, esta vil carniça” abriram um caminho que a poesia brasileira não tinha tomado. Causaram repulsa em parte da crítica do início do século e fascinaram leitores até hoje.

A geografia da memória

A casa onde nasceu na fazenda Pau d’Arco permanece em pé, em Sapé, mantida como espaço de visitação. A estrutura simples, com arquitetura típica das casas de engenho paraibanas, abriga acervo limitado mas relevante. Mobiliário de época, fotografias, edições antigas do Eu e documentos de família.

A visita exige planejamento. Sapé fica a cerca de 50 km de João Pessoa pela BR-101 ou BR-230. Não há sinalização turística forte. A administração funciona em horário restrito. Vale telefonar antes.

Por que o lugar importa

A relação entre obra e território é parte do que a literatura ensina. Visitar a casa onde Augusto cresceu, ver a paisagem que ele tinha na infância e que o livro às vezes evoca por contraste, ajuda a entender o salto de sensibilidade que ele realizou.

Mais do que isso, é teste para a política cultural paraibana. Manter aberto, sinalizado, integrado a roteiros turísticos, um patrimônio literário desse porte deveria ser política de Estado. Não é. Permanece projeto intermitente, dependente de gestão municipal e de iniciativas pontuais da Funesc.

A obra continua

Eu foi reeditado dezenas de vezes desde 1912. A edição atual mais acessível vem com aparato crítico que ajuda muito quem se aproxima do livro pela primeira vez. Para o leitor que quiser começar antes da viagem, basta abrir.


Apoio para conservar a casa-museu pode ser direcionado à administração local. Iniciativas educacionais ligadas à obra de Augusto dos Anjos costumam ser apoiadas pela Funesc e pela Academia Paraibana de Letras.

Fontes

Receba o resumo do dia em Campina Grande no seu e-mail

Síntese diária com as principais reportagens, dados e análises. Sem spam. Cancele quando quiser.