Cidade
Parque da Estação Nova: requalificação de R$ 44 milhões integra cultura, esporte e VLT
Aporte de R$ 44.061.267,96 vai requalificar 90 mil m² do último prédio público art déco de Campina Grande em complexo de cultura, esporte e mobilidade integrado ao VLT.
Em síntese. O prefeito Bruno Cunha Lima assinou em 28 de maio de 2026, no bairro do Quarenta, a Ordem de Serviço da requalificação do complexo da Estação Nova de Campina Grande. O investimento previsto é de R$ 44.061.267,96 em 90 mil metros quadrados. A intervenção combina restauração do último prédio público art déco da cidade, criação do Parque da Estação Nova com equipamentos esportivos e culturais, cinco edificações temáticas, integração com o futuro VLT de 15 km e binário viário para desafogar a Avenida Almeida Barreto.
O projeto de requalificação do antigo complexo ferroviário da Estação Nova, em Campina Grande, foi formalizado em 28 de maio de 2026 com a assinatura da Ordem de Serviço pelo prefeito Bruno Cunha Lima, no bairro do Jardim Quarenta. A intervenção transforma um dos marcos arquitetônicos mais negligenciados da cidade em equipamento urbano de cultura, lazer, esporte, gastronomia, mobilidade e atendimento ao cidadão. Trata-se, segundo a Prefeitura, de um dos maiores investimentos recentes em infraestrutura urbana e preservação do patrimônio público no município.
R$ 44 milhões em 90 mil metros quadrados
O aporte financeiro da obra é de R$ 44.061.267,96, conforme dados oficiais da Prefeitura de Campina Grande divulgados pela Codecom — Coordenadoria de Comunicação Social do município. A área de intervenção é de aproximadamente 90 mil metros quadrados, compreendendo o conjunto histórico ferroviário e o entorno imediato.

Maquete do Parque da Estação Nova: projeto urbanístico com cinco edificações temáticas, áreas verdes, ciclovias, quadras poliesportivas e integração modal com o VLT. Codecom / Prefeitura Municipal de Campina Grande
Cinco edificações temáticas
O complexo será dividido em cinco edificações com funções distintas:
- Estação Gastronômica — restaurantes, praças de alimentação e banheiros públicos.
- Estação Cidadania — salas de aprendizagem, salas para reuniões e setores de atendimento dos órgãos públicos municipais, incluindo Semas (Assistência Social), STTP (Trânsito), Sine (Emprego), Procon e Guarda Municipal. Abriga também Coworking Social e Café da Estação.
- Estação Tecnológica — auditório, salas de atividade, incubadora de startups, salas para reuniões e banheiros.
- Parque da Estação Nova — ciclovias, playgrounds, quadras poliesportivas, academia popular, áreas verdes, espaço pets, pistas para caminhada, estacionamentos e lanchonetes.
- Conjunto histórico restaurado — preservação do prédio art déco original, do painel de azulejos do artista pernambucano Paulo Neves e do tradicional relógio art déco que receberá restauração específica.
Integração com o VLT de Campina Grande
Por meio da cessão da linha férrea ao município, formalizada pelo DNIT — Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o complexo torna-se nó multimodal urbano. Está prevista integração entre VLT, ônibus, táxi, mototáxi, transporte por aplicativo e bicicletas.
O projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Campina Grande prevê modernização de mais de 15 quilômetros da linha férrea, interligando o bairro do Araxá ao Conjunto Aluízio Campos, com implantação de estações ao longo do percurso. A iniciativa busca conectar áreas comerciais, hospitais e unidades de ensino, beneficiando diretamente cerca de 100 mil pessoas.
“O VLT será um instrumento de conexão social, cortando a cidade de Sul a Norte e facilitando o acesso aos polos jurídico, comercial, educacional e de saúde”, afirmou o superintendente da STTP, Neto Medeiros, em entrevista divulgada pela Codecom.
Binário viário para desafogar a Avenida Almeida Barreto
A obra prevê ainda a criação de uma nova avenida atrás do Parque da Estação Nova, em sentido único, ligando a Floriano Peixoto à Assis Chateaubriand. Com a abertura, a Avenida Almeida Barreto — hoje em sentido duplo — passa a ter sentido único no trecho compreendido entre a Almirante Barreto e a Floriano Peixoto.
“A ideia é criar uma nova avenida para desafogar o trânsito da Avenida Almeida Barreto, que hoje tem sentido duplo. Com a criação, a Almeida Barreto ficará em sentido único no trecho da Almirante Barreto à Floriano Peixoto. E a nova avenida também terá sentido único, da Floriano Peixoto à Assis Chateaubriand. Esta nova avenida passará por trás do Parque da Estação Nova”, confirmou o secretário de Planejamento, Marcus Nogueira.
”Preservação da história com modernização”
O projeto urbanístico foi desenvolvido pela Secretaria de Planejamento (Seplan) da Prefeitura Municipal, atendendo solicitação direta do prefeito Bruno Cunha Lima.
“Esta é uma intervenção urbana bem completa e desafiadora da gestão do prefeito Bruno Cunha Lima, pois une a preservação da nossa história, no estilo art déco, com a modernização de um espaço de 90 mil metros quadrados. Entraremos em campo com foco total na qualidade e na agilidade do cronograma, trabalhando de forma integrada. Estamos transformando uma área histórica em um complexo de lazer, esporte e cidadania que vai mudar a dinâmica da região e orgulhar todo campinense”, afirmou o secretário de Obras, Joab Machado.
Um patrimônio histórico de Campina Grande
Inaugurada em 14 de fevereiro de 1961, a antiga Estação Ferroviária de Campina Grande, conhecida popularmente como Estação Nova, é considerada um dos marcos arquitetônicos da cidade. O prédio é reconhecido por seu desenho singular, cuja arquitetura remete tanto a uma locomotiva quanto às embarcações do Rio São Francisco. É apontado como o último prédio público em estilo art déco construído em Campina Grande, encerrando o ciclo arquitetônico predominante entre as décadas de 1930 e 1950.

O conjunto art déco da Estação Nova permaneceu mais de três décadas em deterioração estrutural antes da requalificação anunciada pela Prefeitura. Marinelson Almeida / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
Em 2025, a Prefeitura Municipal solicitou ao IPHAN — Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional o repasse da histórica locomotiva vinculada ao complexo ferroviário, buscando integrá-la oficialmente ao patrimônio cultural de Campina Grande. A iniciativa abriu caminho institucional para o projeto urbanístico atual.
A inauguração da era ferroviária paraibana
A inauguração do primeiro trecho ferroviário entre Campina Grande e Puxinanã, em 4 de abril de 1951, marcou a era de ouro do transporte ferroviário paraibano. A Estação Nova, inaugurada uma década depois, encerra esse ciclo arquitetônico ferroviário.

Inauguração do primeiro trecho ferroviário entre Campina Grande e Puxinanã, em 4 de abril de 1951, marca o início do ciclo ferroviário paraibano. Acervo histórico / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Patrimônio artístico preservado
Além da estrutura arquitetônica histórica, a Estação Nova abriga um raro painel de azulejos com figuras nordestinas, assinado pelo artista pernambucano Paulo Neves. Outro símbolo do local é o tradicional relógio em estilo art déco, que passará por restauração dentro do escopo da obra.
O projeto urbanístico foi elaborado pela Secretaria de Planejamento dentro de uma proposta de valorização do patrimônio histórico e reocupação de áreas urbanas estratégicas. Segundo a Prefeitura, a obra já está em andamento há alguns meses, antecedendo a Ordem de Serviço formal.
Cronograma e próximos passos
A Ordem de Serviço foi assinada em 28 de maio de 2026, às 17h, no próprio local da intervenção. A execução está estruturada para combinar restauração de patrimônio e construção dos cinco equipamentos temáticos, com cronograma de obras já iniciado. O acompanhamento da execução, dos prazos, do controle orçamentário e da aderência ao projeto original será objeto de atua